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Sobre o FBA-IPB SIPAM Barroso
O projeto FBA-IPB SIPAM Barroso articula ciência agronómica, ecologia, conhecimento local e inovação tecnológica para reativar um modelo agrícola resiliente, com benefícios ecológicos, económicos e culturais amplos.
O projeto surge no contexto da valorização dos Sistemas Tradicionais Agrícolas (STA) como património agrícola e ferramenta de resiliência ecológica e socioeconómica em zonas de montanha. O sistema agrícola do Barroso, classificado como Sítio SIPAM/GIAHS pela FAO, representa um modelo exemplar de interação e equilíbrio entre as comunidades rurais e a natureza, com uma longa história de práticas agrícolas sustentáveis.
Apesar da sua importância, enfrenta atualmente desafios críticos: perda de biodiversidade funcional, abandono de práticas tradicionais, simplificação dos agroecossistemas, e aumento do risco de incêndios de grande severidade. O objetivo central do projeto é reabilitar a multifuncionalidade agroecológica deste sistema, contribuindo simultaneamente para a segurança alimentar, conservação do solo e biodiversidade, sequestro de carbono e resiliência climática.
A abordagem
do projeto combina:
Recuperação de práticas agrícolas tradicionais (como o uso de tração animal, rotação de culturas, fertilização orgânica e pastoreio extensivo)
Aplicação de conhecimento científico recente para aumentar a eficiência e adaptabilidade dos sistemas
Intervenções piloto em campo, com forte componente demonstrativa e replicável
Apoio ao envolvimento das comunidades locais na preservação e inovação dos Sistemas Tradicionais Agrícolas (STA)
Objetivos
Avaliação Agronómica do STA-SIPAM-Barroso
Visa documentar e quantificar o funcionamento produtivo do sistema tradicional através da replicação em campo de técnicas agrícolas tradicionais. Serão avaliadas práticas como a rotação experimentais de centeio-batata, colza/batata-centeio, trigo sarraceno/batata-centeio, batata-pousio e batata-centeio:
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Produtividade das culturas;
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Ciclagem de nutrientes e dinâmica da flora infestante;
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Tempos e intensidade de trabalho;
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Impacto das técnicas de fertilização (com estrume) e mobilização do solo (com tração animal);
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Sustentabilidade a médio prazo.
As parcelas experimentais terão também um carácter demonstrativo e educativo, criando oportunidades para formação, disseminação de boas práticas e envolvimento de agricultores e técnicos locais. Os ensaios estão em curso numa área experimental de 70x45m, instalada num terreno 140x45m (6300m2) cedido pela Câmara Municipal de Montalegre na Quinta da Veiga.
Restauração da Estrutura Florística e Produtividade dos Lameiros
Os lameiros são ecossistemas-chave para a produtividade forrageira e a biodiversidade funcional do Barroso. Atualmente muitos encontram-se degradados ou invadidos por matos devido ao abandono agrícola e à quebra no ciclo tradicional de fertilização.
A ação prevê:
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Aplicação de calcário magnesiano (corrigindo desequilíbrios de solo);
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Sementeira indireta via feno de boa qualidade (transportando sementes locais);
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Eventual uso de fogo controlado e/ou destroçamento mecânico prévio.
Esta abordagem baseia-se em resultados experimentais obtidos no CIMO, que demonstram a inadequação das recomendações laboratoriais convencionais para solos de montanha. A aplicação direta de soluções experimentadas localmente poderá acelerar a recuperação da diversidade florística e da produtividade forrageira.
Equipa

Sara Barreiro
Apoio à monitorização














